Ibirataia: COOPAIB defende o cacau brasileiro e denuncia distorções que penalizam os produtores
A cadeia produtiva do cacau no Brasil enfrenta um momento decisivo. Mesmo produzindo com qualidade, responsabilidade social e rigor sanitário, o produtor brasileiro continua sendo penalizado por um sistema desigual que favorece grandes interesses industriais e a importação predatória, enquanto quem está no campo arca com a maior parte dos prejuízos.
Segundo o Dr. João Matheus, presidente da COOPAIB – Cooperativa Mista Agropecuária de Ibirataia, essa realidade é resultado de décadas de abandono e de políticas que ignoram a importância estratégica da cacauicultura para o sul da Bahia e para o país. “O produtor brasileiro produz dentro da lei, preserva o meio ambiente e respeita direitos trabalhistas, mas recebe menos pelo seu produto”, pontua.
A crise não é recente. Ela foi construída ao longo de décadas, a partir de decisões internacionais que deslocaram o eixo da produção mundial para países onde os custos são artificialmente reduzidos, muitas vezes à custa da precarização do trabalho e da ausência de garantias sociais. O impacto foi devastador para o sul da Bahia, região que carrega a história e a identidade da cacauicultura nacional.
Somado a isso, o setor sofreu uma de suas maiores tragédias com a disseminação da vassoura-de-bruxa. Lavouras inteiras foram destruídas, propriedades abandonadas e milhares de famílias perderam sua principal fonte de renda, sem que houvesse, à época, políticas públicas estruturantes capazes de conter os danos e promover a recuperação da atividade.
Atualmente, o produtor brasileiro enfrenta novos obstáculos. A importação de cacau sem os devidos critérios de fiscalização fitossanitária, conforme estabelece a Instrução Normativa nº 125 do MAPA, amplia a concorrência desleal e expõe o país a riscos sanitários. Para o Dr. João Matheus, essa normativa, da forma como vem sendo aplicada, precisa ser revista com urgência para proteger a produção nacional.
A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), presidida por Vanuza Barroso, tem exercido papel fundamental na defesa do setor, levando o debate ao Congresso Nacional e conquistando avanços importantes na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. A COOPAIB de Ibirataia, sob a liderança do Dr. João Matheus, se soma a esse movimento em defesa de políticas mais justas e equilibradas.
Enquanto no Brasil o produtor é obrigado a cumprir rigorosas exigências ambientais, trabalhistas e sanitárias, investir em certificações, rastreabilidade e boas práticas agrícolas, as moageiras impõem um deságio que pode chegar a US$ 1.000 por tonelada. De acordo com o presidente da COOPAIB, trata-se de uma distorção inaceitável que compromete a sustentabilidade da produção e desestimula quem permanece no campo.
Além disso, mecanismos como o Drawback acabam beneficiando a importação em detrimento da produção interna, aprofundando a desigualdade na cadeia produtiva do cacau. O Dr. João Matheus reforça que manter esse modelo é condenar o produtor brasileiro a competir em condições injustas.
Diante desse cenário, cooperativas, entidades e produtores intensificam a mobilização. No dia 28 de janeiro, em Ilhéus, capital do cacau, será realizado um grande ato público em defesa da produção nacional, da valorização do produtor e da soberania agrícola.
A COOPAIB de Ibirataia, representada pelo Dr. João Matheus, reafirma seu compromisso com os agricultores e se une às demais entidades na defesa de pautas urgentes:
Fim do Drawback.
Revisão e fim da IN 125.
Fim do deságio imposto pelas moageiras.
Valorizar o cacau brasileiro é valorizar quem produz, gera emprego e sustenta uma das mais importantes cadeias agrícolas do país.
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