Já pode pedir música: confira pessoas que pegaram covid mais de duas vezes




Se não fosse a vacina, talvez estas histórias não tivessem sido contadas com tanta naturalidade e, às vezes, até cômicas, apesar de trágicas. Ninguém quer pegar covid-19, mas tem gente que poderia até pedir música no Fantástico, pois testou positivo não apenas uma ou duas vezes. Alguns, até mais, como Rogério de Oliveira, que testou positivo recentemente pela quarta vez. Para todos, uma unanimidade: se não fosse a vacinação, certamente não estariam aqui contando suas histórias.

“Realmente, tive [covid] três vezes antes de tomar a vacina. Quando foi agora, dia 15 de janeiro, apresentei alguns sintomas gripais e, conforme protocolo da empresa, tive que me afastar e fazer outro exame Rt-PCR, onde confirmou novamente Covid, pela quarta vez. Porém dessa vez já estava com as duas doses tomadas”, disse Rogério, de 40 anos, que trabalha com o público, mas pediu para não confirmar a emprega, com receio. Ele assegura que toma todos os cuidados, mas como precisa trabalhar num local de grande circulação de pessoas, acaba se expondo.


Rogério guarda todos os exames positivos e lembra que, apesar de não ter sintomas graves para internação, ficou com receio em todos os contágios, principalmente antes da vacina. “As duas primeiras infecções foram somente sintomas gripais. A terceira vez fiquei sem paladar e olfato por um período maior, dor no peito ao espirrar e, quando espirrava, o pulmão parecia que tinha pimenta. Ardia tudo”, lembra Rogério, que teve primeiramente em fevereiro do ano passado, após aniversário de 40 anos de sua esposa. “Nesta última vez comecei com os sintomas gripais, tendo febre de 38 graus nos dois primeiros dias. Comecei a perder o olfato e o paladar. Porém, foi por um período menor”, completa.

A Fiocruz determinava um período para considerar reinfecção num intervalo mínimo de 90 dias. Contudo, este estudo foi feito no final de 2020 e muita coisa mudou, incluindo as variantes mais contagiosas. Em maio do ano passado, um artigo coordenado pelo pesquisador Thiago Moreno, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), já falava sobre a possibilidade de variantes contaminarem novamente um indivíduo mais de duas vezes. Só para se ter uma ideia, o vírus já sofreu tantas mutações que o primeiro encontrado na China nem deve existir mais.


“Esta questão de reinfecção por covid é multifatorial. São vários fatores que precisam de análise, de pessoa a pessoa. No geral, o que acontece muito é uma relação entre a exposição ao vírus e a presença ou não de anticorpos no organismo que vai fazer com que você fique imune a contaminação, em caso de exposição”, explica o médico infectologista, Maurício Campos, mestre e doutor em Hepatites virais. Para ele, tem alguns fatores determinantes.

“O primeiro, e mais importante, são aqueles que optaram em não se vacinar. Obviamente estes estão mais expostos. É muito comum também se achar que, se pegou uma vez, se cria uma imunidade natural e provavelmente não será mais contaminado. É uma inverdade do ponto de vista científico, completa Maurício. Outro aspecto é a chamada zona cinzenta, o intervalo entre as doses, que pode deixar o paciente exposto.


É preciso ter outro cuidado. Em alguns casos, segundo Rogério, o paciente está com uma carga viral sustentada. É um termo técnico para identificar o indivíduo que, apesar de não sentir os sintomas e o próprio exame não detectar a presença do vírus, continua com aquela carga viral por meses. Neste caso, não será considerado uma recontaminação, pois ele ainda tinha o vírus no organismo, embora “adormecido”. Os cientistas também não descartam a possibilidade de uma suscetibilidade diferenciada de um paciente para o outro. É o caso da fotógrafa Catherine Avilés. Mesmo vacinada e seguindo todos os protocolos, chegou ao terceiro contágio, sempre com fortes sintomas.

“Eu fiquei 14 dias mal na primeira vez e ainda fiquei 35 dias com dor de cabeça e diarréia. a segunda tive erupção cutânea e fiquei cheia de placas vermelhas e manchinhas no corpo. Fui parar na emergência. Agora estou em tratamento, com sintomas normais”, conta Catherine, que fará um novo teste em breve e tomará a terceira dose no início de fevereiro.


Benício Alves também tem histórico de recontaminação, no caso duas vezes. Contudo, um fato curioso: Benício nasceu no dia 28 de fevereiro de 2020, alguns dias antes do coronavírus chegar oficialmente no Brasil. “Na primeira vez meu filho tinha 9 meses. Ele ficou muito gripado, fomos para a emergência e lá foi constatado. Apenas ele, pela dificuldade de usar máscara, pegou. Desta vez, todos nós pegamos. Ele, com 1 ano e 11 meses, o irmão dele, eu e meu marido. Apenas Benício não está vacinado”, disse a mãe do pequeno guerreiro, Christiane Alves. Este ano Benício vai finalmente frequentar a escola e já usa máscara sem problemas.

Apesar do número de contágio, a vacina foi decisiva na maioria dos casos. Um bom exemplo é o ator Luciano Szafir. Ele contraiu pela segunda vez a covid-19 um dia antes de poder tomar a vacina, em junho do ano passado. O artista ficou 32 dias internado por causa da Covid, foi intubado e passou por duas cirurgias e até hoje sofre sequelas. Este mês, foi diagnosticado novamente. Porém, por conta da vacina, está com sintomas leves. “O positivo veio como uma bomba, uma sensação muito ruim. Ainda mais depois de tudo o que passei. Mas, graças a Deus e à vacina, os sintomas foram leves. Tive apenas dores de cabeça”, disse Szafir à revista Quem.



"A diferença entre a primeira e as últimas duas vezes foi gritante. A vacina salva!"

Meu caso ainda é diferenciado. Eu tive covid em novembro do primeiro ano de pandemia (2020). Em dezembro agora, viajei para os Estados Unidos e passei 12 dias lá. Quando fiz o teste lá para poder retornar, testei positivo. Alguns dias depois, fiz novo teste e deu negativo. Pude voltar para o Brasil, no dia 24 de dezembro. Quando foi 7 de janeiro deste ano, testei positivo de novo, muito provavelmente foram variantes diferentes, como a delta e ômicron. Por isso não tinha desenvolvido uma imunidade temporária. Eu juro que não estou lambendo corrimão. Tomo todos os cuidados, mas peguei. Na primeira vez tive uma congestão nasal. Como tenho uma clínica de fisioterapia, me afastei para fazer o teste. Antes mesmo do resultado sair, fiquei sem olfato e paladar. Foram 11 dias assim e ainda fiquei um bom tempo cansada, fadigada. Em dezembro de 2021, testei negativo para viajar. Fiquei lá durante 12 dias. Lá o uso da máscara é apenas em lugares fechados. Eu estava com minha família e apenas o meu teste deu positivo. Meu médico acredita que peguei covid logo na chegada e fiquei sem sintomas. Na terceira vez, fui para um evento no fim de ano. No dia 4, meu marido apresentou sintomas gripais. Como tive contato, fiz o teste. Estava novamente. Também não senti nada. Vale lembrar que estas duas últimas vezes eu estava com as três doses da vacina. A diferença entre a primeira e as últimas duas vezes foi gritante. A vacina salva!
Já pode pedir música: confira pessoas que pegaram covid mais de duas vezes Já pode pedir música: confira pessoas que pegaram covid mais de duas vezes Reviewed by Giro Ibirataia on domingo, janeiro 30, 2022 Rating: 5

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