O 'problemão' de Lídice na eleição de 2026
Com a filiação de Mário Negromonte Jr. e outros, Lídice pode perder votos cruciais para sua reeleição na Câmara dos Deputados A deputada federal Lídice da Mata, presidente do PSB na Bahia, deve enfrentar um dos cenários mais desafiadores de sua trajetória política na disputa de 2026. A montagem da nominata do próprio partido, que em tese deveria fortalecê-la, acabou criando uma concorrência interna que pode comprometer suas chances de reeleição à Câmara dos Deputados.
Na reta final da janela partidária, o PSB filiou nomes de peso para a corrida federal, como Mário Negromonte Jr., Vitor Bonfim e Elisângela, todos com potencial eleitoral consolidado. O movimento acendeu o alerta dentro da legenda, já que os três devem disputar diretamente os mesmos votos que tradicionalmente orbitam em torno de Lídice.
Mário Negromonte Júnior virou o maior concorrente de Lídice dentro do PSB. (Foto: Divulgação)Os números da última eleição ajudam a dimensionar o problema. Em 2022, Mário Negromonte Jr. somou 147.711 votos, superando Lídice, que obteve 112.385. Já Vitor Bonfim, então candidato a deputado estadual, teve 68.043 votos, enquanto Elisângela alcançou 73.138. Com a migração desses nomes para a disputa federal, a tendência é de pulverização dos votos dentro do próprio partido.
Debandada de estaduais
Além da concorrência para federal, Lídice também terá que lidar com o enfraquecimento da base do PSB na Bahia. A legenda perdeu quadros importantes na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Fabíola Mansur, quadro histórico da legenda, deixou o partido e migrou para o PV, temendo dificuldades para se reeleger após ficar na suplência por pouco mais de mil votos em 2022. O deputado Angelo Almeida seguiu caminho semelhante e se filiou ao PT.
Quadro histórico do PSB, Fabíola Mansur saiu do PSB rumo ao PV em tentativa de se salvar. (Foto: Henrique Brinco / BNews)Outro fator que pesa contra o PSB é a decisão da deputada estadual Soane Galvão de não disputar a reeleição em 2026. A saída abre espaço para a candidatura do seu marido, o ex-prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, o Marão, que atualmente está no Avante. A mudança reduz ainda mais a capilaridade do partido no interior.
Crise no PSB da Bahia começou em 2018
O cenário é resultado de um processo de desgaste que vem se acumulando ao longo dos últimos anos. O PSB na Bahia perdeu força de forma gradual, em um movimento que se intensificou após 2018, quando Lídice deixou o Senado. Na avaliação de aliados, a legenda não foi devidamente compensada politicamente naquele momento, e a eleição da veterana para a Câmara acabou sendo considerada insuficiente diante das perdas.
Desde então, as estratégias eleitorais do partido passaram a girar em torno da reeleição da própria Lídice. Mesmo assim, o desempenho nas urnas não conseguiu recuperar o protagonismo de outros tempos, e a formação das nominatas seguiu limitada.
Lídice da Mata perdeu a vaga do Senado para Angelo Coronel em 2018. (Foto: Agência Câmara)Natural de Cachoeira, Lídice da Mata é economista e construiu uma trajetória pioneira na política baiana, sendo a primeira mulher prefeita de Salvador e também a ocupar uma cadeira no Senado pela Bahia. Aos 70 anos, ela encara, talvez, o teste mais complexo de sua carreira.
Informações do Bandes
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sábado, abril 04, 2026
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